Consultamos especialistas para entender porque as crianças têm medo do escuro e pegamos dicas de como minimizar os efeitos dessa fase.

 

Tudo estava tranquilo, familiar, aconchegante até que puff... a luz se apagou. E foi aí que tudo mudou. A cortina transformou-se num fantasma, o quadrinho da parede virou um grande morcego, o casaco que estava no cabide, num passe de mágica, sumiu e apareceu uma bruxa malvada no seu lugar. Escondido na escuridão, não podemos esquecer do terrível bicho-papão que mora debaixo da cama. Pois é, dormir sozinho pode ser um verdadeiro pesadelo para a criançada. E é por isso que a Zissou foi conversar com especialistas para entender melhor o medo do escuro. Confira!

 

DE ONDE VEM O MEDO DO ESCURO?

 

O medo do escuro é uma coisa extremamente normal e está na lista dos 10 mais comuns na humanidade. Ele, na verdade, não é causado pela ausência da luz, mas de que algum perigo possa aparecer sorrateiramente. E o mais curioso é que, apesar de ser ruim para quem o sente, ele tem, lá no fundo, uma boa causa. O medo faz parte do desenvolvimento saudável, tem um importante papel na evolução e sem ele provavelmente nossa espécie não existiria. “Em nosso ambiente evolutivo, aqueles indivíduos que não apresentavam respostas de medo a certos estímulos, como barulhos na mata, por exemplo, não sobreviveram e não passaram seus genes adiante. O medo nos prepara para certas reações que foram muito importantes para sobrevivermos ao longo desses milhões de anos”, explica a psicóloga Victoria Cirino.

 

Infográfico: principais medos durante a infância

 

 O MEDO DURANTE AS FASES DA VIDA 

 

O medo do escuro é frequente em crianças de 1 a 5 anos, em uma fase que as crianças também costumam temer seres imaginários, como bruxas, fantasmas, monstros e alguns bichos. “Nessa faixa de desenvolvimento, a criança não consegue separar fantasia e realidade, o que pode também influenciar no medo que ela sente do escuro, pois eles não conseguem compreender que essas criaturas imaginárias não existem e com a ausência da luz não podem enxergar o que está ali, sentindo-se à mercê do que está ao seu redor”, conta a psicóloga especialista em infância e adolescência Luiza Brandão. E essas inseguranças variam conforme elas vão se desenvolvendo.

 

E isso não acontece só com os pequenos. Os adultos também ficam em estado de alerta ao passar por uma rua escura, por exemplo, sem saber os perigos que podem se esconder ali. Diferente das crianças, o medo nos adultos geralmente são relacionados à história de vida de cada um, não se desenvolvendo em todos pelas mesmas razões. “Cada indivíduo apresenta uma história particular, portanto não podemos dizer que todos desenvolvem esse comportamento pelas mesmas razões. O medo do escuro pode representar coisas diferentes para cada pessoa, tendo algo a mais por trás, que é muito particular e depende da história de cada um”, diz Victoria.

 

O que se repete em adultos e crianças é a reação do corpo ao medo. “Pelo ponto de vista biológico, independente da idade, as reações biológicas são bem semelhantes. O medo geralmente traz coração acelerado, mãos suando e até dor de barriga”, diz Luiza.

 

COMO ENFRENTAR O MEDO DO ESCURO?

 

Superar o medo do escuro exige bastante paciência de toda a família. “É normal ter uma fase de medos, por isso a família precisa se acalmar, desmistificando o escuro com a criança e esperando essa fase passar”, diz a pediatra Filumena Gomes. Nessa fase, a conversa pode ser uma ótima aliada.  “É importante passar a mensagem para a criança de que o medo não é bobo e que as inseguranças dela são levadas a sério. É interessante entender qual é a narrativa por trás desse medo, se tem algo a ver com algo que ela escutou na escola ou viu na televisão, por exemplo. Entendendo de onde vem esse medo, é possível tirar dúvidas da criança e tranquilizá-la. E o mais importante: nunca minimizar o seu sofrimento”, explica Victória.

 

A psicóloga ainda dá outras dicas que podem ajudar:

 

- Fazer a adaptação gradual, ou seja, se a criança só dorme no quarto dos pais, mudar aos poucos para ela passar a ficar no quarto sozinha, mas com a luz acesa e de portas abertas.

 

- Se ela já dorme no quarto, mas com a luz acesa, substituir a iluminação por um abajur ou luz indireta.

 

- Se o medo é de um monstro no armário, por exemplo, pode-se optar por oferecer um objeto que a criança goste, como um bichinho de pelúcia, para fazer companhia e ser um “ajudante”, cuidando dela enquanto dorme.

 

Ao lidar com a situação, Luiza conta que os pais não devem ridicularizar o medo, considerando como algo bobo, mas acolher o sentimento da criança. “Não é recomendável supervalorizar, para não alimentar o medo da criança, mas mostrar que está tudo bem, que vão ajudar, que estão ali para proteger. Tudo isso faz com que ela se sinta confortada e possa superar”, orienta. Como algo natural do desenvolvimento, nem sempre é necessário terapia. Quando surgem dúvidas, os pais podem buscar um psicólogo para orientação. Mas, em alguns casos, o apoio de um profissional é essencial. Para saber problema passou a ser mais sério, analise se de alguma forma o medo está interferindo no desenvolvimento saudável da criança, trazendo prejuízo escolar, dificultando a socialização com outras pessoas, afetando o humor ou impedindo que ela tenha uma noite tranquila. Se sim, é hora de buscar ajuda. “É importante buscar a ajuda de um psicólogo quando o nível de sofrimento passa a afetar atividades cotidianas ou está perdurando”, explica Luiza. Se estiver em dúvida, o próprio pediatra pode ajudar no aconselhamento sobre um possível encaminhamento para ajuda especializada. Nesse caso, as técnicas para ajudar a criança, então, vão variar dependendo do caso.

 

Você já percebeu que, apesar de muito comum e natural, uma noite de sono completa no próprio quarto pode ser um grande desafio para os pequenos, não é mesmo? Então, se está passando por essa situação aí na sua casa, tenha paciência e jogo de cintura. É uma fase e, certamente, logo esse medo passa e noites noite bem dormidas virão! ;)

 

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